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Abertura do ano formativo no Seminario Maior

MISSA DE ABERTURA DO ANO FORMATIVO 2017 – CMP

 

        Queridos irmãos e confrades, falar-lhes nesta manhã é motivo de grande alegria, pois nossa Província está feliz por vocês mais uma vez dizerem sim à formação Palotina. Nesta abertura de ano formativo do CMP, nossa esperança se renova porque o Senhor continua enviando operários para a messe. Olhar para vocês aqui nesta casa de formação, é também motivo de entusiasmo para nossa Província porque vemos nascer em vocês um futuro para a Igreja e para o nosso carisma. Nesse contexto, meu desejo é que esse momento de partilha sirva para que todos nós aqui sintamos em nosso próprio espírito o ardor da fé que nos impulsiona para a vida em comunidade, para a evangelização e para a santidade.

        Neste começo de ano formativo é importante lembrar que esta casa de formação é o local privilegiado para gerar para a Igreja discípulos-missionários Palotinos, que atendam os anseios do coração humano, sejam bons samaritanos cuidando das feridas do mundo, e sejam santos que lavam e alvejam as vestes no sangue do cordeiro. É isso que Jesus de Nazaré espera de nós, que sejamos homens dignos e capacitados para anunciar o Evangelho a todas as nações e resgatar a ovelha perdida. Do mesmo modo, a Igreja espera de nós que nos eduquemos para a fidelidade e para a perseverança, a fim de que sejamos sinais autênticos de que vale a pena largar tudo o que o mundo oferece como prêmio, para alcançar as graças de Deus, que são capazes de nos conceder a vida em plenitude.

        Seguindo esses princípios, tenhamos no coração a certeza de que ser um consagrado Palotino, seja na função de padre ou de irmão, não é um status social ou eclesial a ser alcançado. Na verdade, trata-se de uma convicta profissão de fé, ou seja, é uma forma de encarnar as verdades da nossa fé em nossa própria história. Há muitos que equivocadamente encarnam as verdades da fé apenas nos símbolos, nos ritos e nas roupas clericais. No entanto, nada disso será útil se antes não estivermos plenamente embebidos de caridade cristã, de amor pelos que sofrem e de ardor missionário.

        Diante das necessidades do mundo presente, uma casa de formação precisa mergulhar na compreensão filosófica e teológica a fim de dar uma resposta satisfatória às grandes e enigmáticas questões da vida humana. Por isso, caros formandos, dediquem-se e aproveitem a formação intelectual que nossa Província oferece a vocês na confiança de que vocês se tornarão homens capazes de pensar a realidade com sabedoria e dignidade. Caros formadores incentivem os formandos, busquem o conhecimento com eles e não permitam que a preguiça intelectual abafe ou descredibilize a voz da Igreja diante desse cientificismo mundano e ateu que só tem trazido dores para a nossa sociedade. Contudo, que a sede do saber não se torne para vocês arrogância e vaidade. Que vocês, por desenvolverem a inteligência não caiam na tentação de quererem ser famosos, poderosos ou até mesmo ricos. Os famosos e os poderosos desse mundo podem até ser aplaudidos, mas não trazem em sua história as marcas salvíficas da vida de Jesus de Nazaré. Aplausos não farão de vocês padres ou irmãos fiéis e santos.

        É por isso que para além da dimensão intelectual, nós Palotinos falamos de mais cinco dimensões que se complementam e tecem em nós o jeito de ser de Jesus. As seis dimensões da formação são a forma Palotina de nos fazer imagem e semelhança de Cristo, então nenhuma deve ser negligenciada. Se pela dimensão intelectual adquirimos a sabedoria de Jesus, na dimensão humana descobrimos sua dignidade e doação; na dimensão espiritual recebemos sua intimidade com o Pai; na dimensão comunitária adquirimos sua misericórdia no trato com o outro; e na dimensão apostólica aprendemos seu jeito de acolher e construir o Reino de Deus. É assim que nós encarnamos o carisma Palotino que diz “que a vida de Jesus Cristo seja a minha vida”.

        Neste ponto, quero ressaltar a importância da dimensão espiritual como caminho seguro para a perseverança. Hoje, muitos consagrados desenvolvem bons projetos, realizam belas liturgias, mas não tem uma intimidade pessoal com o Senhor. Isso, com certeza lhes fará fraquejar e desanimar quando o tempo da provação chegar. Assim como o povo que saiu do Egito vacilou na fé e murmurou contra Deus diante das dificuldades do caminho, muitos cristãos estão desanimando e murmurando diante dos desafios do tempo presente. Há aqueles que estão tão fracos que infelizmente voltam para traz e abandonam a messe. Se queremos ser perseverantes, precisamos cultivar a vida de oração. É ela que dá vitalidade a nossa fé e sabor em nosso apostolado. Sem a oração, pessoal e comunitária, nós nos tornamos estéreis para o reino, e não chegaremos ao fim porque nossas forças humanas não conseguirão nos fazer vencer o deserto.

        Deus não nos trouxe para a vida religiosa para morrermos de fome e de sede. Ele nos trouxe aqui para nos transformar em mensageiros da verdade e distribuidores da graça divina. Neste tempo de formação, e posteriormente na vida religiosa, enfrentaremos muitos desafios. Sentir-nos-emos famintos e sedentos, e quando esse momento chegar somente a oração humilde e sincera nos fará beber da água viva de Cristo. Em nossa história nos apaixonamos por muitas coisas, assim como a samaritana do evangelho. Mas também a exemplo dela, sabemos que a plenitude de amor somente se encontra aos pés de Jesus. Por isso, a fé justifica nosso entusiasmo e dá sentindo as nossas renúncias porque, como diz São Paulo, temos uma prova indubitável do amor de Deus: o testemunho, a morte e a ressureição de Cristo.

        Aqui há outro elemento fundamental para a formação: a vida martirial. A formação Palotina quer gerar homens para morrerem com Cristo pelo evangelho numa entrega plena de amor. A vida martirial, de renúncia e de cruz, não é uma atitude inútil e sem sentido. Vemos no cristianismo atual, seja católico ou não, uma tendência forte ao espetáculo, a catarse, e ao miraculoso. No entanto, a história prova que o que faz a igreja crescer é o sangue dos mártires. Nossa renúncia e nosso sacrifício são as únicas provas consistentes da eficácia da nossa fé. É olhando para o nosso martírio cotidiano que as pessoas terão a certeza de que nossa fé é verdadeira, porque sendo homens equilibrados, inteligentes e capacitados, o único motivo evidente de nossa vocação é a nossa fé.

        Além disso, cultivem uma vida simples e pobre no sentido evangélico. O caminho vocacional não é um caminho de riquezas terrenas. Há muitos que se dizem de Cristo e estão enfeitados com a riqueza financeira à custa do evangelho. Outros estão enfeitados com a riqueza da fama, do prestígio mundano achando que ser popular é ser missionário. Esses enfeites ocultam a verdadeira face de Cristo, instrumentalizam o Evangelho e não constroem o reino de Deus. A verdadeira face de Cristo se revela na simplicidade de um poço aonde os pobres, sofredores e pecadores podem beber uma água viva.

        Por fim, reitero o meu desejo de que cada um aqui, formando e formadores, cultivem em si mesmos o desejo de se configurar ao Senhor da Messe. Vivemos tempos desafiantes, por isso não podemos negligenciar o futuro. Queridos formandos tenham paciência, ainda não é o tempo de vocês viverem a vida pública da missão. Esse é o tempo da vida oculta, como Jesus passou boa parte da sua vida. É o tempo do estudo, da oração, da vida comunitária, do autoconhecimento, da iniciação ao apostolado, para que aprendendo bem essas coisas, possam leva-las por toda a vida e serem fieis dispensadores dos mistérios de Cristo. Que Maria Rainha dos Apóstolos lhes eduque como fez com Jesus e que São Vicente Pallotti lhes ajude a serem apaixonados por Deus como ele foi.

 

Santa Maria, RS, 19 de fevereiro de 2017.

Pe. Clesio Facco, SAC

Reitor Provincial


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